Análise de Mercado / Market analysis

Imobiliário português devolveu 8,5% aos investidores em 2025

Segundo o MSCI Portugal Annual Property Index, o mercado imobiliário de rendimento em Portugal voltou a destacar-se em 2025, mantendo-se entre os mais resilientes da Europa e confirmando a sua atratividade num contexto internacional mais exigente.

Imobiliário português devolveu 8,5% aos investidores em 2025

O mercado imobiliário de rendimento em Portugal voltou a demonstrar solidez em 2025, registando um retorno total de 8,5%, de acordo com o MSCI Portugal Annual Property Index. Embora este valor represente uma ligeira descida face aos 9,8% observados em 2024, continua a posicionar o mercado português entre os mais consistentes da Europa e confirma a capacidade de resistência do setor num enquadramento mais seletivo e exigente.

A leitura deste resultado torna-se ainda mais relevante quando enquadrada numa perspetiva de longo prazo. Nos últimos dez anos, o imobiliário português apresentou um retorno anualizado de 7,8%, sustentado sobretudo pela estabilidade do retorno das rendas, que continua a ser a principal componente da performance global. Em 2025, esse contributo manteve-se relativamente estável, entre 5,7% e 5,9%, enquanto a valorização de capital contribuiu com 2,3%, em linha com a desaceleração observada face ao ano anterior.

Em termos de composição setorial, o retalho continuou a ter o maior peso no universo monitorizado, representando 45,7% do valor dos ativos, seguido pelos escritórios, com 30,8%. Ainda assim, os desempenhos em 2025 foram distintos entre segmentos. O setor hoteleiro liderou em termos de retorno, com 9,9%, seguido pelo retalho, com 8,9%, e pelo industrial, com 8,6%. Os escritórios, apesar de continuarem a apresentar o retorno mais baixo entre os grandes segmentos, melhoraram de forma expressiva, passando de 6,4% em 2024 para 7,7% em 2025.

No caso dos escritórios, esta recuperação resultou sobretudo de uma melhoria da valorização de capital, que subiu de 1,2% para 2,5%, enquanto o retorno gerado pelas rendas se manteve estável. Já no retalho, verificou-se uma quebra mais visível, com o retorno a descer de 11,7% para 8,9%, num movimento explicado pela desaceleração da valorização de capital. Ainda assim, o segmento manteve a liderança na captação de investimento, representando 31% dos 2.723 milhões de euros transacionados em 2025.

Também o setor dos escritórios reforçou o seu peso na atividade investidora, aumentando a sua quota de 14% para 23%, segundo dados da Iberian Property Data. O segmento hoteleiro, por sua vez, evidenciou uma tendência de estabilização, em linha com a evolução da atividade de investimento, enquanto o setor industrial registou um retorno de 8,6%, abaixo dos 10,1% observados em 2024, refletindo um abrandamento tanto da valorização de capital como do retorno das rendas.

No contexto europeu, Portugal voltou a ocupar uma posição particularmente sólida. Com uma rentabilidade de 8,5%, o mercado português manteve-se entre os de melhor desempenho, em linha com países como Espanha (8,6%), Países Baixos e Noruega (ambos com 8,3%), e acima de mercados como o Reino Unido (5,9%), a França (3,2%) ou a Alemanha (1,5%). Esta diferença reforça a perceção de competitividade do mercado nacional e confirma que Portugal continua a oferecer uma combinação rara entre rendimento, estabilidade e capacidade de absorção.

Mais do que um resultado anual positivo, estes números mostram que o mercado imobiliário português continua a afirmar-se como uma geografia credível para investimento qualificado, com fundamentos sólidos e uma atratividade que permanece claramente acima da média europeia.

Fonte: Confidencial Imobiliário - Ed. 410 - Março 2026

Portuguese real estate delivered an 8.5% return to investors in 2025

Portugal’s income-producing real estate market once again demonstrated its resilience in 2025, delivering a total return of 8.5%, according to the MSCI Portugal Annual Property Index. Although this represents a slight decrease from the 9.8% recorded in 2024, it still places the Portuguese market among the most consistent in Europe and confirms the sector’s resilience in an increasingly selective and demanding environment.

This result becomes even more meaningful when viewed from a long-term perspective. Over the past ten years, Portuguese real estate has recorded an annualised return of 7.8%, supported above all by the stability of rental income, which remains the main component of overall performance. In 2025, that contribution remained relatively stable, between 5.7% and 5.9%, while capital appreciation contributed 2.3%, in line with the slowdown observed compared with the previous year.

In terms of sector composition, retail continued to hold the largest share of the monitored universe, accounting for 45.7% of asset value, followed by offices, with 30.8%. Even so, performance in 2025 varied across segments. The hotel sector led in terms of return, at 9.9%, followed by retail at 8.9%, and industrial at 8.6%. Offices, although still posting the lowest return among the major segments, improved significantly, rising from 6.4% in 2024 to 7.7% in 2025.

In the case of offices, this recovery resulted mainly from improved capital appreciation, which increased from 1.2% to 2.5%, while rental income remained stable. Retail, by contrast, recorded a more visible decline, with returns falling from 11.7% to 8.9%, a movement explained by the slowdown in capital appreciation. Even so, the segment maintained its leadership in attracting investment, representing 31% of the €2.723 billion transacted in 2025.

The office sector also strengthened its weight in investment activity, increasing its share from 14% to 23%, according to Iberian Property Data. The hotel segment, in turn, showed signs of stabilisation, in line with the evolution of investment activity, while the industrial sector posted a return of 8.6%, below the 10.1% recorded in 2024, reflecting a slowdown in both capital appreciation and rental income.

In the European context, Portugal once again held a particularly strong position. With a return of 8.5%, the Portuguese market remained among the best performers, in line with countries such as Spain (8.6%), the Netherlands and Norway (both at 8.3%), and ahead of markets such as the United Kingdom (5.9%), France (3.2%) and Germany (1.5%). This gap reinforces the perception of the national market’s competitiveness and confirms that Portugal continues to offer a rare combination of yield, stability and absorption capacity.

More than just a positive annual result, these figures show that the Portuguese real estate market continues to establish itself as a credible geography for qualified investment, with solid fundamentals and an attractiveness that remains clearly above the European average.

Source: Confidencial Imobiliário - Issue 410 - March 2026